O ex-agente secreto que virou pai de família: o tropo de Manager Kim e A Bona Fide Killer
So Ji-sub como pai que já foi agente de elite, Gong Hyo-jin como mãe ex-atiradora: por que 2026 encheu os doramas de heróis aposentados com uma vida comum para proteger.
Por Redação Drameria · · 4 min de leitura
GênerosEm junho de 2026, So Ji-sub estreou Manager Kim na SBS com 9,5% de audiência, uma das melhores estreias do ano. Ele vive um homem comum de escritório, pai solteiro, que esconde um passado de agente de elite. Quando a filha é sequestrada, o funcionário pacato some e o agente volta. A série vem de um webtoon de mesmo nome.
Um mês depois, a MBC estreou A Bona Fide Killer, com Gong Hyo-jin. Desta vez é a mãe: uma ex-atiradora de elite que tenta voltar a uma vida normal num emprego de vendas, enquanto o próprio marido, jornalista, persegue uma história sem saber que ela é a peça que falta.
Duas grandes estreias no mesmo ano com a mesma ideia não são coincidência. O herói aposentado que virou pai ou mãe de família é um tropo com história nos doramas e no cinema coreano, e voltou com força.
Como o tropo funciona
A receita costuma ter quatro ingredientes:
- Um passado violento e secreto. Forças especiais, serviço de inteligência, assassino de aluguel. Algo que ninguém ao redor imagina.
- Uma vida comum de propósito. O emprego mais sem graça possível, a casa simples, a rotina. O personagem escolheu ser invisível.
- Alguém para proteger. Normalmente um filho, às vezes um vizinho ou uma criança que não é sua.
- O gatilho. Um sequestro, uma ameaça, alguém do passado que reaparece. A partir daí, o personagem precisa ser de novo quem ele tentou esquecer.
O prazer do público está no contraste. Ver um homem de camisa de manga curta e crachá desmontar uma sala de capangas é engraçado e catártico ao mesmo tempo.
Os exemplos que vieram antes
The Man from Nowhere (2010). O filme que definiu o tropo na Coreia. Won Bin é um homem recluso que cuida de uma loja de penhores e tem uma única amiga: a menina da casa ao lado. Quando ela é sequestrada, descobrimos quem ele foi. Até hoje é um dos filmes de ação coreanos mais lembrados, e muito do que Manager Kim faz vem daqui.
Terius Behind Me (2018). O próprio So Ji-sub já tinha feito uma versão cômica do tropo. Ele vive um ex-agente do serviço de inteligência que vira babá dos filhos gêmeos de uma vizinha viúva, vivida por Jung In-sun, enquanto investiga uma conspiração. É comédia de ação com muito coração, e deu a So Ji-sub o grande prêmio da MBC naquele ano. Ver Manager Kim depois de Terius é ver o mesmo ator levando a mesma ideia para o lado sombrio.
Taxi Driver (2021). Lee Je-hoon é um ex-oficial das forças especiais que dirige um táxi e, nas horas vagas, faz justiça pelas vítimas que a polícia não protegeu. Não tem filho para cuidar, mas tem o resto da receita: o homem comum por fora e a máquina de luta por dentro. A série ganhou novas temporadas e virou uma das franquias mais fortes da TV coreana.
Vagabond (2019). Lee Seung-gi é um dublê cujo sobrinho morre num acidente de avião, e a busca por respostas o joga num mundo de espiões. É a variação em que o herói não era agente, mas precisa virar um.
Por que o tropo voltou agora
O público envelheceu. A geração que começou a ver dorama nos anos 2000 hoje tem filhos, emprego e boleto. Um herói que equilibra rotina de escritório e família conversa com esse público melhor do que um herdeiro de vinte e poucos anos.
A fantasia de competência. É a mesma razão do sucesso de Doctor X. Num ano em que muitas séries apostaram em protagonistas extraordinariamente competentes, o ex-agente é a versão mais extrema: alguém que sabe resolver tudo e só não resolve porque escolheu não se meter.
O webtoon de ação. O mercado de webtoon coreano tem um catálogo enorme de histórias de ação com protagonistas adultos, e os estúdios passaram a adaptar essas histórias com mais frequência. Manager Kim e A Bona Fide Killer vêm desse caminho, como a gente explica em webtoon: de onde vêm as histórias de tantos doramas.
A virada das mulheres. A Bona Fide Killer mostra uma mudança importante: a heroína de ação que é mãe. Durante muito tempo, na Coreia, a mãe dos doramas era a que sofria ou a que interferia no namoro do filho. Ver Gong Hyo-jin, atriz conhecida por comédias românticas como Quando a Camélia Floresce (2019), segurando um rifle de atiradora é uma novidade de 2026.
Para quem é
Se você gosta de doramas de suspense sem romance, esse tropo é um bom caminho, porque o amor aqui é de família, não de casal. E se a ideia de um protagonista que esconde quem é te interessa, vale ver o lado romântico da mesma estrutura em o tropo da mulher disfarçada de homem.
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