Doramas retrô: 8 séries ambientadas nos anos 80 e 90
De Reply 1988 a Undercover Miss Hong, os doramas que voltam aos anos 80 e 90 com fita cassete, pager, k-pop da primeira geração e a crise de 1997. Por que a nostalgia virou gênero.
Por Redação Drameria · · 4 min de leitura
ListasUm dos doramas de maior audiência de 2026, Undercover Miss Hong, se passa em 1997. Park Shin-hye vive uma fiscal do mercado financeiro que se disfarça de funcionária iniciante numa corretora suspeita, num escritório cheio de cigarro, telefone fixo, terno largo e computador de tubo. A série começou com audiência baixa e terminou entre as três mais vistas do ano, como a gente mostra em os doramas mais vistos de 2026.
Não é caso isolado. A Coreia tem uma relação especial com o passado recente, e os doramas retrô viraram quase um gênero. Separamos oito para você escolher a década.
Os anos 80
Reply 1988 (2015–2016). O favorito de muita gente. Cinco famílias vizinhas num beco de Seul, no ano das Olimpíadas. Tem a adolescente que não é a melhor aluna, o jogador de go prodígio, as mães cozinhando juntas e um mistério sobre quem vai ser o marido da protagonista. É lento, afetuoso, engraçado e faz chorar no mesmo episódio. É da mesma dupla de Hospital Playlist, que aparece em doramas médicos.
Youth of May (2021). Um romance que se passa em maio de 1980, em Gwangju, no período do levante democrático e da repressão violenta pelo regime militar. Lee Do-hyun e Go Min-si vivem o casal. É bonito e é muito triste, porque quem conhece a história sabe o que vem.
Snowdrop (2021). Jung Hae-in e Jisoo, do Blackpink, num romance de 1987, ano das grandes manifestações pela democracia. A série foi alvo de críticas antes e durante a exibição por causa do jeito como retratou espiões e o movimento estudantil. Vale ver sabendo disso.
Reborn Rich (2022). Song Joong-ki é um funcionário leal de uma família chaebol que é assassinado e renasce como o neto caçula do dono, em 1987. Com o conhecimento do futuro, ele atravessa as décadas seguintes, da crise de 1997 à bolha da internet, para tomar a empresa. É a aula de história econômica coreana mais divertida que existe.
Os anos 90
Reply 1997 (2012). O primeiro da série Reply. Uma adolescente de Busan obcecada pela banda H.O.T., do começo do k-pop, e os amigos dela, vistos em 1997 e quinze anos depois. Foi a série que inventou a fórmula: nostalgia, cultura pop da época e um mistério romântico.
Reply 1994 (2013). Estudantes do interior dividindo uma pensão em Seul, no ano da febre do basquete universitário e da chegada da internet discada. A disputa pelo marido da protagonista mobilizou a Coreia inteira.
Twenty-Five Twenty-One (2022). Kim Tae-ri é uma esgrimista adolescente e Nam Joo-hyuk é um rapaz cuja família perdeu tudo na crise de 1997. A série acompanha os dois de 1998 até os anos 2000, e é sobre crescer num país que acabou de quebrar.
Undercover Miss Hong (2026). Fechando o ciclo, a estreia mais recente: comédia de escritório e investigação financeira, em 16 episódios, com o fim de 1997 rondando cada cena.
A crise de 1997, o fantasma desses doramas
Repare como 1997 aparece em quase toda a lista. Naquele ano, a Coreia do Sul enfrentou uma crise financeira grave e precisou pedir socorro ao FMI. Empresas quebraram, milhões perderam o emprego, famílias se desfizeram. Ficou famosa a campanha em que a população doou o próprio ouro, alianças incluídas, para ajudar o país a pagar a dívida.
Para os coreanos, a crise do FMI é um marco geracional, como a hiperinflação ou o confisco da poupança foram para muitas famílias brasileiras. Ela separa o país do crescimento acelerado do país da competição e da insegurança, e muito do que os doramas de hoje mostram, do medo do desemprego ao culto do emprego estável, nasce ali.
Por isso os doramas retrô não são só nostalgia. Eles costumam mostrar um mundo mais lento e mais coletivo, com vizinhos que se conhecem e famílias que comem juntas, antes de uma ruptura que todo mundo na plateia sabe que vai chegar.
Por que a nostalgia virou gênero
O público cresceu. Quem tinha 15 anos em 1997 tem hoje mais de 40, e é justamente o público que mais vê TV aberta na Coreia. Ver a própria adolescência na tela é irresistível.
A cultura pop ajuda. Fita cassete, pager, locadora, as primeiras bandas de k-pop. Cada objeto vira piada, memória e figurino. É o mesmo efeito de Stranger Things para os anos 80 americanos.
O passado parece mais simples. Não tinha rede social nem celular, e as pessoas tinham que se encontrar para conversar. Num país com as jornadas de trabalho e a pressão escolar da Coreia, esse mundo de bairro parece um refúgio.
Se você nunca viu nenhum, comece por Reply 1988. É longo, com episódios de quase uma hora e meia, mas é o tipo de série que deixa saudade de gente que nunca existiu. E se quiser entender as palavras que os personagens usam entre si, como noona e hyung, o glossário de dorama ajuda.
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