Perfect Crown e outros doramas de realeza moderna: quando a Coreia ainda tem rei
A Coreia não tem monarquia desde 1910, mas os doramas insistem em imaginar uma. De Princess Hours a Perfect Crown, com IU e Byeon Woo-seok, as séries de príncipes no mundo atual.
Por Redação Drameria · · 4 min de leitura
ListasPerfect Crown, com IU e Byeon Woo-seok, foi o dorama de maior audiência do primeiro semestre de 2026. Exibida pela MBC entre abril e maio, em 12 episódios, a série terminou com 13,8% de audiência nacional segundo a Nielsen Korea. A premissa: numa Coreia alternativa em que a monarquia constitucional sobreviveu até hoje, uma herdeira chaebol e um grão-príncipe sem poder fazem um casamento por contrato que, aos poucos, vira de verdade.
O título original coreano é algo como "A esposa do grão-príncipe do século 21", e já entrega a fantasia. A Coreia não tem rei há mais de cem anos, mas a ideia de uma família real vivendo no mundo de celular e rede social é tão boa que os doramas voltam a ela de tempos em tempos.
A realeza que existiu
Antes da ficção, a história. A dinastia Joseon governou a Coreia de 1392 a 1897, quando virou o Império Coreano. Em 1910 o país foi anexado pelo Japão, e a monarquia acabou ali. Depois da libertação, em 1945, a Coreia do Sul virou república e a família real nunca voltou ao trono. Os descendentes da casa real existem até hoje, mas sem nenhum papel oficial.
O fim foi triste. A princesa Deokhye, última princesa de Joseon, foi levada para o Japão ainda menina e só voltou à Coreia décadas depois, doente. A história dela virou o filme A Última Princesa (2016), com Son Ye-jin. Esse sentimento de algo que foi interrompido ajuda a explicar a nostalgia que os doramas exploram.
Os doramas de realeza moderna
Princess Hours (2006). O pioneiro. Baseado num manhwa, imagina uma Coreia que mantém a família real e acompanha uma estudante comum, vivida por Yoon Eun-hye, obrigada a casar com o príncipe herdeiro (Joo Ji-hoon) por causa de uma promessa entre os avôs. Tem tudo que depois virou fórmula: casamento arranjado, príncipe frio, corte cheia de regras e uma heroína que não sabe se comportar. Quem vê Perfect Crown reconhece a influência na hora.
The King 2 Hearts (2012). Ha Ji-won é uma instrutora de forças especiais da Coreia do Norte e Lee Seung-gi é o príncipe mimado da Coreia do Sul. Um casamento entre os dois vira peça diplomática para aproximar os países. É comédia romântica, thriller político e um sonho de reunificação, tudo junto.
The Last Empress (2018). Jang Na-ra é uma atriz de musical que casa com o imperador e descobre que o palácio é um ninho de cobras: assassinato, traição, sogra vilã. É makjang assumido, com reviravoltas absurdas, e foi um sucesso de audiência justamente por isso.
The King: Eternal Monarch (2020). Lee Min-ho é o imperador do Reino da Coreia, um mundo paralelo onde a monarquia continua, e Kim Go-eun é uma detetive da nossa Coreia, a república. Um portal liga os dois mundos. É a versão mais fantasiosa do tema e dividiu opiniões, mas o visual da corte moderna é dos mais caprichados.
Perfect Crown (2026). O mais recente e o mais visto. Junta duas fantasias de dorama, a herdeira rica e o príncipe, e coloca as duas num acordo de conveniência. A química entre IU, que vinha de When Life Gives You Tangerines (2025), e Byeon Woo-seok, que estourou com Lovely Runner (2024), carregou a série.
A polêmica de Perfect Crown
Nem tudo foi celebração. Uma cena de coroação no episódio 11 foi criticada por espectadores e historiadores pelo jeito como os oficiais saudavam o novo rei, considerado inadequado para a tradição coreana. A crítica também se dividiu sobre o final: houve quem achasse o desfecho satisfatório e houve quem dissesse que a segunda metade perdeu fôlego e que as questões políticas foram resolvidas às pressas.
Isso mostra o risco do gênero. Uma monarquia inventada é fantasia, mas ela usa símbolos reais, de roupas a rituais, e o público coreano é atento a tudo que mexe com a própria história. A gente fala mais sobre isso em doramas da era colonial.
Por que a fantasia funciona
É conto de fadas com Wi-Fi. O príncipe é a fantasia romântica mais antiga que existe. Trazer esse príncipe para o mundo de hoje, com paparazzi, redes sociais e assessoria de imprensa, cria situações que um sageuk não teria.
Junta dois mundos de regras rígidas. A corte tem protocolo; a família chaebol tem hierarquia. Colocar uma heroína que não se encaixa em nenhum dos dois gera comédia e conflito de graça.
Faz pensar em "e se". Para o público coreano, uma Coreia com família real é também uma Coreia em que a história não foi interrompida pela ocupação. Mesmo que ninguém queira de verdade um rei, a ideia toca num ponto sensível.
Se você chegou aqui por Perfect Crown, o próximo da lista é Princess Hours, para ver de onde vieram as ideias. Se o que você quer é o casal que se casa por conveniência e se apaixona depois, temos uma lista inteira de doramas de chaebol com romance.
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