12 costumes coreanos que você aprende vendo dorama
Do sapato na porta ao convite pra comer ramyeon, os hábitos que aparecem em quase todo dorama e o que eles querem dizer de verdade na Coreia.
Por Redação Drameria · · 6 min de leitura
GuiasNinguém assiste dorama pra estudar Coreia, mas depois de uma dúzia de séries você aprendeu um monte sem querer: por que todo mundo tira o sapato na entrada, por que o rapaz vira o rosto pra beber na frente do chefe e por que um convite pra comer ramyeon deixa o par romântico vermelho.
Separamos 12 costumes que se repetem de série em série. Cada um tem uma cena ou um dorama onde fica fácil de reconhecer. Se alguma palavra escapar, o glossário de dorama ajuda.
1. Sapato fica na porta
Casa coreana tem um degrau logo na entrada e é ali que o sapato para. Dentro se anda de meia ou de chinelo de casa. Por isso tantas cenas de tensão acontecem com alguém parado na soleira. Em Reply 1988 o quintal das três famílias vive cheio de sapatos empilhados, e o lugar do sapato diz quem está em casa.
2. Idade manda, e o nome acompanha
Na Coreia, a diferença de um ano já muda como você fala com alguém. Daí os títulos que todo fã decora: oppa (homem mais velho, dito por uma mulher), unnie (mulher mais velha, dito por uma mulher), hyung (homem mais velho, dito por um homem), noona (mulher mais velha, dito por um homem) e sunbae (veterano na escola ou no trabalho). Quando um personagem pede pra ser chamado só pelo nome, isso é intimidade, não detalhe. É metade do charme de um noona romance.
3. Bebida se serve com as duas mãos
Nos jantares de empresa, o mais novo serve o mais velho segurando a garrafa com as duas mãos, recebe o copo também com as duas, e ainda vira o corpo de lado pra beber sem encarar o superior. Misaeng (2014), que se passa numa trading em Seul, mostra esse ritual em quase todo episódio, e boa parte da humilhação do protagonista novato vem de errar esses detalhes.
4. "Quer comer ramyeon?"
Parece convite pra lanche, mas virou código. A frase ficou famosa com o filme Um Dia de Primavera (2001), quando a personagem convida o rapaz pra subir e comer ramyeon, e desde então os doramas usam a pergunta como um "quer subir pra tomar um café" coreano. Se alguém pergunta isso no fim de um encontro, a cena seguinte costuma ser um silêncio constrangido. A gente falou mais do papel da comida nas séries em doramas de comida que dão fome.
5. Carregar nas costas quem bebeu demais
O soju derruba, e o costume é carregar o amigo ou o par romântico nas costas até em casa. É um dos clichês que todo fã reconhece, e um gesto de cuidado que na Coreia não soa infantil. Em Meu Amor das Estrelas (2013) a cena das costas vira ponto de virada do casal.
6. Jjimjilbang, a sauna de todo mundo
A casa de banhos pública, com piscinas quentes, sala de sal, ovos cozidos e aquela toalha enrolada na cabeça em formato de orelhinha de carneiro, é programa de família, de amigos e de casal. Jardim Secreto (2010) tem a cena que ensinou meio mundo a dobrar a toalha de carneiro, com o herdeiro arrogante aprendendo com a protagonista.
7. A primeira neve
Na Coreia existe a crença de que quem está junto na primeira neve do ano vai ficar junto. Por isso tantas declarações, beijos e reencontros acontecem debaixo de flocos. Goblin (2016) construiu a história inteira em cima disso, a ponto da música-tema prometer voltar "como a primeira neve".
8. Pepero Day, o 11 de novembro
O dia 11/11 virou data de dar palitos de biscoito coberto de chocolate (os Pepero, parecidos com os Pocky japoneses) pra quem se gosta. A piada é que os quatro números um lembram os palitinhos. Nos doramas de colégio é desculpa pra uma declaração tímida ou pra uma caixa deixada sem nome na mochila.
9. Roupas de casal e o aniversário de 100 dias
Casal coreano marca o centésimo dia de namoro, e muita gente ainda celebra os 200 e os 300. Usar roupa combinando, da mesma cor ou com a mesma estampa, é declaração pública e não motivo de vergonha. Em dorama, o par que aparece de casaco igual já virou oficial, e a surpresa de 100 dias que dá errado é motor de briga em toda comédia romântica de universidade.
10. Serviço militar obrigatório
Todo homem coreano serve cerca de um ano e meio, e isso aparece nos doramas de dois jeitos: a despedida do namorado que vai pro quartel, com a promessa de esperar, e as histórias passadas dentro da caserna. D.P. (2021) mostra o lado mais pesado, acompanhando soldados que caçam desertores. Fora da tela, explica por que atores e idols somem da televisão por um tempo e voltam com cabelo raspado.
11. O dia do suneung
O suneung é o vestibular nacional, feito num único dia de novembro. O país inteiro se organiza em volta dele: empresas atrasam o horário de entrada pra desocupar o trânsito, aviões não decolam durante a prova de inglês, e policiais levam de moto quem está atrasado. Reply 1988 dedica um trecho inteiro à manhã do exame, com a família na torcida no portão e a mãe grudando um doce de arroz no muro da escola pra dar sorte. Entender o suneung é entender a pressão que esmaga tantos personagens adolescentes.
12. Aniversário com sopa de algas
Em vez de bolo logo cedo, o aniversariante coreano toma miyeok-guk, uma sopa de algas que as mães comem depois do parto. Tomar a sopa no aniversário é lembrar da mãe. Por isso a cena de alguém sozinho preparando a própria sopa é o jeito mais rápido de um dorama dizer que aquele personagem não tem família por perto. E "você tomou sopa de algas hoje?" é como se diz "feliz aniversário" sem dizer.
Bônus: jeong, a palavra que explica o resto
Jeong não tem tradução exata. É o laço que cresce com a convivência, uma mistura de afeto, lealdade e obrigação entre vizinhos, colegas e famílias. É o motivo de a dona do restaurante dar porção extra, de a vizinha deixar comida na porta sem avisar, de o amigo de infância aparecer sem ligar. Reply 1988 é, no fundo, uma série inteira sobre jeong.
Por que isso importa pra quem assiste
Saber esses costumes muda a experiência: o silêncio depois do convite pro ramyeon deixa de ser estranho e o casaco igual deixa de parecer coincidência. Dorama é uma aula de Coreia disfarçada de romance.
E boa parte desses gestos cruzou o oceano. As novelinhas gravadas no Brasil herdaram o ritmo e os ganchos das séries coreanas, só trocaram o soju por cachaça e a mansão de Seul pela casa de fazenda. Se quiser ver essa mistura, A Noiva do Interior de um Bilionário está no feed da Drameria, em episódios curtos.
- #cultura coreana
- #costumes
- #k-drama
- #guia


